Mudança?
A mudança está para breve... ainda não sei quando isso vai acontecer, mas sei que já esteve mais longe! Possivelmente dentro de meses irei SOZINHA para Luanda, Angola. Tive uma boa proposta para trabalhar na minha área, mas será que vale a pena? Muitas dúvidas, muitos medos estão a tomar conta de mim. Não como, não durmo e sinto-me sozinha (agora mais que ontem e menos que amanhã certamente)...
Quem me dera voltar a ser criança, altura em que tinha um olhar tranquilo, seguro e muito feliz... Neste momento se o apresentador Daniel Oliveira me perguntasse: "o que vêem os teus olhos?" eu responder-lhe-ia que vêem medo e, por detrás do medo existe um grande vazio...
Sei que a vida em Angola é bem dferente da realidade a que estou habituada no meu país, mas será que serei capaz de enfrentar essa realidade? Toda a gente fala nos assaltos e na pouca segurança que existe por lá. Será verdade? Será mentira? Será que irei arranjar amigos com facilidade? Será que irei ter um ombro amigo para poder chorar? Iria adorar conhecer alguém como eu, com quem pudesse chorar sempre que assim o desejasse, alguém para se rir comigo, partilhar experiências, desabafos, conselhos, sair à noite, dançar...
Imagino-me lavada em lágrimas a caminho de Angola, desejando voltar para trás, para junto dos meus... Mas se não for imagino-me a pensar que deveria ter tentado. Eu conheço-me e vou sofrer de ambas as maneiras. Se for irei chorar por tudo o que larguei, com medo do desconhecido. Se não for irei sempre pensar que até poderia ter gostado da experiência...
Tenho tantas opiniões de várias pessoas que por vezes penso que é melhor já não ouvir mais opiniões e apenas me devo guiar, não só pelo meu coração mas também pela cabeça.. Mas dói demasiado deixar a família, os amigos... Dói só de pensar numa despedida. Por pensar assim acho que já fiz uma grande asneira na minha vida. Gosto imenso de um amigo. É uma das melhores pessoas que conheço (e por isso mesmo é o meu melhor amigo), mas simulei discussão para ele ficar zangado comigo. Para quê? Porque me dói o facto de o deixar triste, de o ver chorar com a minha partida e pensei que se ele estivesse zangado comigo já não lhe iria fazer diferença ter-me longe de si. Assim era menos uma pessoa triste com a minha partida. Esta foi a maior estupidez da minha vida? Acho que sim, mas não suporto fazer sofrer os que me amam e essa é a minha maneira parva e estúpida de o fazer... Chorei muito com esta situação e a verdade é que sinto imenso a falta dele, a falta de rir, chorar, falar com ele. Sinto falta das conversas sérias, das conversas sem sentido nenhum, dos jantares em sua casa. Tenho saudades dele e dos devaneios daquela cabeça tonta. Sei que já não há volta a dar, mas talvez um dia ele compreenda que não o quis magoar.
No meio disto tudo já lá vão duas preocupações e duas tristezas: o facto de ter mesmo perdido um grande amigo e o facto de ficar longe da minha família, do meu cão, da minha casa. Como vai ser não poder estar sem a minha irmã? A minha irmã é a minha mais-que tudo, é a minha vida. Meu deus, nem sei como vai ser sem a poder ver durante meses a fio.
No entanto, sei que esta viagem me irá tornar numa pessoa mais rica. Se também que irei dar mais valor a coisas que, aqui em casa, dou por garantidas, como ter sempre luz ou água. Ainda assim as interrogações teimam em permanecer na minha cabeça e sei que só irão desaparecer depois de enfrentar esta nova realidade.
Desejo que o futuro seja muito risonho!
"Façam o favor de serem felizes", porque eu vou tentar...
Até breve
Inês